sexta-feira, 21 de setembro de 2012

BARBOSA, Ana Mae. INQUIETAÇÕES E MUDANÇAS NO ENSINO DA ARTE. São Paulo: Cortez, 2007.

BARBOSA, Ana Mae. INQUIETAÇÕES E MUDANÇAS NO ENSINO DA ARTE. São Paulo: Cortez, 2007.
AS MUTAÇÕES DO CONCEITO E DA PRÁTICA
A aprendizagem da Arte é obrigatória pela Lei de Diretrizes e Bases - LDB - no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, no entanto, essa obrigatoriedade não é suficiente para garantir a existência da Arte no currículo. Somente a acão do professor pode torná-la essencial para favorecer o crescimento individual e o comportamento dos cidadãos. Ao Poder Público cabe propiciar meios para que os professores desenvolvam a capacidade de compre­ender, e conceber a Arte.
A falta de um aprofundamento dos professores de Ensino Fundamental e Médio pode retardar a Nova Arte. A Arte-Educação tem sua missão de favorecer o conhecimento das diversas formas de Arte.
MUDANÇAS NO ENSINO DA ARTE
A Arte-Educação mudou nos seguintes aspectos:
1- Maior compromisso com a cultura e com a histó­ria.
2- Ênfase na inter-relação entre o fazer, a leitura da obra e a contextualização histórica, social, antropo­lógica e estética da obra. Só um saber consciente e informado torna possível a aprendizagem em Arte.
3- Influir positivamente no desenvolvimento cultural dos estudantes pelo ensino-aprendizagem da Arte. A Arte na Educação como expressão pessoal e como cultura é um importante instrumento para identificação cultural e o desenvolvimento individual. Por meio da Arte, é possível desenvolver a criativi­dade, percepção, imaginação, senso crítico, apre­ensão da realidade.
4- Pretende-se ampliar a criatividade com leituras e interpretações de obras de Arte.
5- Necessidade de alfabetização visual, onde não se restringe a análise da obra, mas, em que contex­to está inserida.
6- Compromisso com a diversidade cultural é enfa­tizada pela Arte'Educação pós-Moderna.
7- Reconhecer que o conhecimento da imagem é de fundamental importância para desenvolvimento da subjetividade e desenvolvimento profissional.

TRANSFORMAÇÕES NO ENSINO DA ARTE

Embora a Arte seja uma disciplina de extrema importância, ela ainda não é vista como tal. A defe­sa do ensino de Arte na escola já reuniu inúmeros argumentos, quase todos alheios ao processo que compreendem a atividade artística, seus produtos, ações e reflexões. Dentre os argumentos, podemos citar:
1- Aprendizagem da Arte para desenvolvimento moral da sensibilidade e criatividade.
2- Ensino da Arte como forma de recreação.
3- Arte-Educação como artifício para ornamentação da escola.
4- Arte como apoio da aprendizagem e memoriza­ção dos conteúdos de outras disciplinas.
5- Arte como benefício para acalmar e relaxar.
As transformações nas concepções que tem orientado o ensino de Arte nas últimas décadas enfrentaram o desafio de refletir sobre esses pro­cessos, que desfiguravam o conceito de Arte na educação. O ensino de Arte na escola não está em busca de soluções, mas de questionamentos.
A ARTE E SEU ENSINO, UMA QUESTÃO OU VÁRIAS QUESTÕES?
A Arte é um grande desafio pois, nos coloca questões que nos permite utilizar diversas áreas do conhecimento, ela desafia, questiona, e levanta hipóteses.
A Arte contemporânea é discutida por vários estudiosos e especialistas. Ela é complexa e conse­quentemente seu ensino também. É necessário investimentos na significação da Arte, do Artesanato e cio design nas escolas, nas pesquisas, no artista e no educador juntos, e rejeição da segregação cultu­ral na educação como afirma Paulo Freire.
CONCEITOS E TERMINOLOGIA
Na escola, ensinar e aprender são frutos de um trabalho coletivo. Os professores de Arte devem conhecer desde os conceitos fundamentais da lin­guagem da Arte até a linguagem artística em que se trabalha. É preciso conhecer seu modo especifico de percepção, como são construídos os sentidos a partir das leituras, como aprimorar o olhar, ouvidos e corpo. Para Perrenoud, o papel do educador é mediar objeto de conhecimento e o aprendiz. Uma mediação sempre será a articulação entre as histó­rias pessoais e coletivas dos aprendizes de Arte. O educador deve ser capaz de criar situações que possam ampliar a leitura e compreensão das pes­soas, sobre stia cultura e seu mundo. No ensino da Arte, é preciso pensar em desafios instigantes e estéticos.
CAMINHOS METODOLÓGICOS
A Arte-Educação entendida como disciplina - A visão mais contemporânea do ensino da Arte valori­za a construção e a elaboração como procedimento artístico, enfatiza a cognição em relação à emoção e procura acrescentar a dimensão do fazer artístico á possibilidade de acesso e compreensão do patri­mónio cultural da humanidade. Há uma proposta para que o ensino de Arte seja elaborado a partir de três ações básicas - Proposta Triangular do Ensino de Arte (experimentação, decodificação e informa­ção):
1- Ler obras de Arte - a leitura de obras de Arte envolve o questionamento, a busca, a descoberta e o despertar do senso crítico dos alunos.
2- Fazer Arte - ação do domínio da prática artísti­ca.
3- Contextualizar - domínio da leitura da Arte e outras áreas do conhecimento.
A EDUCAÇÃO DO OLHAR NO ENSINO DA ARTE
O papel da Arte na educação está relacionado aos aspectos artísticos e estéticos do conhecimen­to. Expressar o modo de ver o mundo nas lingua­gens artísticas dando forma e colorido é uma das funções da Arte na escola. A educação estética tem como lugar privilegiado o ensino da Arte, entenden­do por educação estética as várias formas de leitu­ra, de fruição que podem ser possibilitadas às crian­ças no seu cotidiano.
OLHAR E VER
Nossa visão é limitada, vemos o que compreen­demos e o que temos condições de compreender, o que nos é significativo. O sentido vai ser dado pelo contexto e pelas informações que o leitor possui. O olhar de cada indivíduo está impregnado de experi­ência e vivências anteriores que lhes são significati­vas.
IMAGEM
É comum nas escolas de Educação Infantil tra­balhar com leitura de imagens sem, muitas vezes entender esse processo de leitura. É preciso com­preender como a criança lê essas imagens e o que ela interpreta.

LEITURAS

As leituras mostram a diversidade de significa­dos, o quanto os contextos, as informações, as vi­vências de cada leitor estão presentes ao procurar dar um sentido para a imagem.
EDUCAÇÃO DO OLHAR
É preciso educar o olhar da criança desde a Educação Infantil. O ensino da Arte contemporânea busca possibilitar atividades interessantes e acessí­veis às crianças.
MULTICULTURALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE
O prefixo "multi" indica um trabalho entre muitas disciplinas e o prefixo "inter" a inter-relação entre duas ou mais disciplinas. Os trabalhos interdiscipli­nares na maioria das vezes são realizados sob a forma de projetos, o que é extremamente positivo em se tratando de Arte.
A educação multicultural envolve o desenvolvi­mento de competências em muitos sistemas cultu­rais, e seu objetivo é promover a igualdade por in­termédio da mudança educacional.
MULTICULTURALIDADE E UM FRAGMENTO DA HISTÓRIA DA ARTE/EDUCAÇÃO ESPECIAL
Uma das culturas minoritárias presentes no es­paço da educação escolar é a do portador de ne­cessidades especiais.
O maior desafio de uma pedagogia multicultural é aprender a lidar com a diversidade, compreen­dendo que o portador de necessidades especiais pode criar e recriar sua própria cultura, no entanto o conservadorismo se esquece disso.

INTERDISCIPLINARIDADE

O professor de Arte tem um papel importante como elo de ligação, entre outras disciplinas, no entanto deve ser respeitado tanto como os outros. A disciplina de Arte não é inferior às outras.
TECNOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS E O ENSINO DA ARTE
Vivemos num mundo rodeado de imagens, tan­tas que nem temos tempo se assimilá-las. Nesse contexto, é importante desenvolver a competência de saber ver e analisar as imagens para que ela adquira significado. É importante conhecer todos os meios tradicionais quanto os tecnológicos.
IMAGEM ESTÁTICA E IMAGEM EM MOVIMENTO
O jso de novas tecnologias na escola é defasa­do, mas não pode ser deixada de lado em detrimen­to do tradicionalismo. A imagem ganha a cada a-vanço tecnológico, mais possibilidades de apropria­ção e re-significação. A preocupação com a apren­dizagem em Arte deve estar sempre presente com os meios tradicionais ou com recursos tecnológicos modernos. O uso de mais de um meio pode gerar imagens interessantes e significativas para os alu­nos, o que não pode é o professor ser resistente às mudanças.
APRENDIZAGEM DA ARTE E O MUSEU VIRTUAL DO PROJETO PORTINARI
Os museus virtuais se multiplicam na Internet e são instrumentos de educação. Diferencia os atuais formatos utilizados por instituições para a inserção de museus e acervos no espaço virtual, caracteri­zando os objetivos de cada uma das estruturas.
O conhecimento de projetos virtuais pode ser uma experiência riquíssima vivenciada por professo­res e alunos.
INTERNET: CULTURA E PODER
A Internet é um instrumento de ação artística cultural, por sua capacidade de levar imagens, do­cumentos, textos, com extrema rapidez, e que de­vem ser explorados nos trabalhos com Arte, pois possibilitam o contato com produções artísticas de diferentes momentos e culturas.

A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE ARTE

Estamos passando por uma fase de retomada de uma identidade profissional do professor de Arte, que deve refletir sobre a prática pedagógica em busca de um maior domínio das ações educativas. Os cursos de formação de professores de Arte de­vem encarar o desafio de propiciar a seus alunos uma inserção na linguagem artística e reflexões críticas, e sua formação deve ser sempre contínua.

ENSINO DE ARTE

A autora aponta que há necessidade de um en­sino de Arte sequencial, para que o aluno seja pre­parado para engajar-se no mundo artísttco-estético com certa autonomia, e espírito crítico.

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